Inteligência Artificial

KPMG retira relatório sobre IA por alucinações — e expõe um risco que toda empresa corre

Uma das maiores consultorias do mundo publicou um relatório sobre IA escrito com IA. Resultado: dados inventados, clientes citados incorretamente e o documento removido do ar.

Pedro Henrique··2 min de leitura·Atualizado em 15 de junho de 2026
KPMG retira relatório sobre IA por alucinações — e expõe um risco que toda empresa corre

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O que aconteceu

A KPMG, uma das "Big Four" da auditoria, retirou do ar o relatório "Redefining excellence in the age of agentic AI", publicado em outubro de 2025, depois que o grupo de pesquisa GPTZero encontrou diversas imprecisões. O problema: a consultoria aparentemente usou IA para redigir um relatório sobre IA — e o texto saiu recheado de alucinações.

Organizações citadas como exemplos de adoção de IA — incluindo o UBS, o NHS (sistema de saúde do Reino Unido), a ferrovia federal suíça e a Transport for London — afirmaram que as alegações da KPMG sobre elas eram falsas ou enganosas.

Em nota, a KPMG disse esperar que "todas as nossas pessoas sigam nossas diretrizes de uso responsável de IA, incluindo a supervisão humana para validar conteúdo e verificar fontes independentes", e abriu investigação interna. Não é um caso isolado: a EY recentemente também retirou um relatório com notas de rodapé fabricadas por IA.

O ângulo AI Start

Esse é, talvez, o caso mais didático da semana — porque pode acontecer com qualquer empresa, não só com gigantes. A armadilha não foi usar IA. Foi usá-la sem o passo de verificação humana.

Modelos de linguagem geram texto plausível, não necessariamente verdadeiro. Quando o conteúdo é publicado sem checagem, três coisas acontecem: erros factuais viram afirmações públicas, a reputação é arranhada e a confiança do cliente despenca — exatamente o oposto do que a IA prometia entregar.

A solução não é abandonar a IA. É colocar governança no fluxo:

  1. Humano no circuito para qualquer conteúdo que vá a público ou embase decisão.
  2. Verificação de fontes obrigatória — toda estatística e citação precisa ter origem rastreável.
  3. Política clara de uso de IA, definindo onde ela pode rascunhar e onde a revisão é inegociável.
  4. Trilha de auditoria — saber o que foi gerado por IA e por quem foi validado.

Conclusão

A IA é uma excelente primeira versão. Não é a versão final. O caso KPMG mostra que pular a revisão humana não economiza tempo — apenas adia o custo, com juros de reputação.

Em resumo

EtapaControle de governança
GeraçãoA IA rascunha a primeira versão
RevisãoHumano valida todo conteúdo que vai a público
FontesToda estatística e citação com origem rastreável
RegistroTrilha de auditoria do que foi gerado por IA

Ressalva: o caso baseia-se em achados do GPTZero e em relatos das organizações citadas.

Leia também: A Deezer detecta música feita por IA · O dilema de cibersegurança do Fable

Fontes

  1. 1.TechCrunch — KPMG pulls report on AI usage due to apparent hallucinations

Perguntas frequentes

É quando um modelo de linguagem gera uma informação que parece plausível, mas é falsa ou inventada — como estatísticas, citações ou fatos que não existem. O modelo otimiza por texto convincente, não necessariamente verdadeiro.

Mantendo supervisão humana para todo conteúdo que vá a público ou embase decisões, exigindo verificação de fontes para cada dado e citação, e definindo uma política clara sobre onde a IA pode atuar e onde a revisão é obrigatória.

Não. A IA é ótima para acelerar rascunhos e primeiras versões. O erro é tratar a saída como versão final. Com revisão humana e checagem de fontes no fluxo, o ganho de produtividade vem sem o risco de reputação.

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Pedro Henrique
Pedro Henrique

Founder & CEO da AI Start

Fundador e CEO da AI Start, aceleradora de eficiência operacional. Criador do método Growth Tech, que prepara a base operacional de empresas antes de implementar inteligência artificial.

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