"Vamos contratar um cientista de dados e resolver isso por dentro." Antes de abrir a vaga, faça essa conta
Contratar um profissional de dados interno parece a solução mais óbvia para "ter IA de verdade" na empresa. Na prática, é uma decisão de longo prazo sendo tomada para resolver um problema de curto prazo
A lógica por trás da vaga
Em algum momento do diagnóstico, um cliente pergunta a mesma coisa, de formas diferentes: "não seria mais barato contratar alguém interno pra cuidar disso?" A lógica parece impecável — um salário fixo, a pessoa dentro de casa, conhece a empresa, não depende de terceiro.
O problema não é a lógica. É a conta incompleta por trás dela.
O que uma vaga de dados/IA resolve — e o que não resolve
Um cientista de dados ou desenvolvedor com experiência em IA, bem contratado, resolve uma parte real do trabalho: escrever código, testar modelo, ajustar prompt, manter uma integração no ar. É trabalho técnico, importante, e uma pessoa competente entrega isso.
O que essa vaga sozinha não resolve — porque não é o que a vaga foi desenhada para fazer — é justamente o que mais derruba projeto de IA em PME:
- Diagnosticar o processo real antes de construir. Um cientista de dados recém-contratado não chega sabendo onde estão os gargalos da sua operação — alguém precisa levantar isso, e normalmente é trabalho de semanas, não de um dia de onboarding.
- Decidir com autoridade o que NÃO construir. Dizer não para uma ideia empolgante do dono ou de um diretor é papel difícil para quem acabou de ser contratado e está em período de experiência.
- Escolher entre modelos e fornecedores sem viés. É comum um profissional técnico ter preferência forte por um stack específico — o que é normal, mas não é o mesmo que uma escolha model-agnostic pautada pelo caso de uso.
- Instituir a memória organizacional. Isso atravessa a empresa inteira, não uma pessoa; exige acesso e mandato que raramente vêm junto com uma vaga técnica.
A conta que ninguém faz na hora de abrir a vaga
Um cientista de dados sênior no Brasil custa, hoje, algo entre R$ 12 mil e R$ 20 mil mensais de salário — sem contar encargos, benefícios, ferramentas e o tempo de gestão que alguém vai gastar liderando essa pessoa. Isso é uma cadeira inteira, o ano todo, dedicada a um recorte do problema.
Um projeto estruturado com método — diagnóstico, prova de valor, implementação, adoção e prova do ganho — normalmente custa uma fração disso ao longo do mesmo período, porque não é uma cadeira fixa: é um time multidisciplinar (que já resolveu o mesmo tipo de problema em outras empresas) dedicado ao escopo certo, pelo tempo certo, sem folha de pagamento permanente.
Quando a vaga interna faz sentido
Isso não é argumento contra nunca contratar ninguém técnico internamente — em muitos casos, depois que o primeiro projeto prova valor e a operação amadurece, faz total sentido internalizar alguém para manter e evoluir o que foi construído. A questão é a ordem: contratar antes de saber exatamente o que precisa ser mantido é comprar uma cadeira sem saber ainda qual é o trabalho.
Método é o que sabe dizer não. Uma vaga aberta não sabe dizer não pra ninguém — ela só começa a trabalhar no que aparecer na frente.
Se sua empresa está no meio dessa decisão — abrir uma vaga técnica ou estruturar o projeto primeiro — fale com a AI Start no WhatsApp e faça essa conta com a gente antes de publicar a vaga.
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Founder & CEO da AI Start
Fundador e CEO da AI Start, aceleradora de eficiência operacional. Criador do método Growth Tech, que prepara a base operacional de empresas antes de implementar inteligência artificial.